A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 1/2026, em debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, propõe uma mudança estrutural na contribuição previdenciária patronal: substituir a alíquota de 20% sobre a folha de salários por uma contribuição sobre o faturamento das empresas. A medida, que divide opiniões entre setores produtivos e especialistas tributários, pode reconfigurar a carga tributária de milhares de empresas em Mato Grosso, especialmente no varejo alimentar, farmacêutico, de materiais de construção e autopeças, que operam com margens apertadas e alta rotatividade de pessoal. Neste artigo, analisamos os detalhes técnicos da proposta, os impactos financeiros e operacionais para os negócios mato-grossenses e como a tecnologia de gestão, como o ERP Max Manager, pode ser uma aliada na adaptação a esse novo cenário fiscal.
Entendendo o Cenário: O que Propõe a PEC 1/2026?
A PEC 1/2026, de autoria do senador orientador da reforma tributária, propõe uma alteração no artigo 195 da Constituição Federal, que trata do financiamento da seguridade social. Atualmente, as empresas contribuem com 20% sobre o total da remuneração paga aos empregados (folha de salários). A proposta substitui essa contribuição por uma alíquota incidente sobre o faturamento bruto da empresa, excluindo-se o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
A justificativa dos autores é dupla: primeiro, desestimular a informalidade e a precarização do trabalho, já que a contribuição sobre a folha encarece a contratação formal. Segundo, simplificar a arrecadação, vinculando-a ao fluxo de receitas da empresa, que é mais estável e menos sujeita a variações sazonais do que a folha de pagamento. No entanto, a proposta enfrenta forte resistência de setores intensivos em mão de obra, como supermercados, farmácias e transportadoras, que temem um aumento brutal da carga tributária total.
O debate na CCJ do Senado, iniciado em fevereiro de 2026, discute três pontos centrais:
- Alíquota única vs. setorial: Se a alíquota sobre o faturamento será a mesma para todos os setores (estimada entre 1% e 2%) ou se haverá diferenciação por atividade econômica.
- Direito de opção: Se as empresas poderão optar entre o regime atual (sobre a folha) e o novo regime (sobre o faturamento), ou se a mudança será compulsória.
- Impacto sobre o Simples Nacional: Como a mudança se aplicará às micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional, que já possuem alíquotas unificadas.
“A substituição da contribuição sobre a folha pelo faturamento pode representar um ganho de competitividade para setores de alta tecnologia e baixa densidade de mão de obra, mas pode ser um desastre para o varejo tradicional, que vive de margens baixas e muitos funcionários. O direito de opção é fundamental para evitar quebras.” — Parecer técnico do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) sobre a PEC 1/2026, em análise na CCJ.
Comparativo de Impacto: Folha vs. Faturamento por Setor em Mato Grosso
Para entender o impacto real, simulamos dois cenários para empresas típicas dos setores atendidos pela MAXDATA em Mato Grosso. Consideramos uma alíquota hipotética de 1,5% sobre o faturamento bruto (valor médio discutido nos bastidores do Senado) e comparamos com a alíquota atual de 20% sobre a folha.
| Setor | Faturamento Médio Mensal (R$) | Folha de Pagamento Total (R$) | Contribuição Atual (20% s/ Folha) | Contribuição Proposta (1,5% s/ Faturamento) | Diferença Mensal (R$) | Impacto na Margem Líquida |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Supermercado (médio porte – Cuiabá) | R$ 800.000 | R$ 120.000 (15% do fat.) | R$ 24.000 | R$ 12.000 | Redução de R$ 12.000 | Positivo (redução de custo) |
| Farmácia (médio porte – Sinop) | R$ 350.000 | R$ 70.000 (20% do fat.) | R$ 14.000 | R$ 5.250 | Redução de R$ 8.750 | Positivo (redução de custo) |
| Transportadora (frota própria – Rondonópolis) | R$ 500.000 | R$ 150.000 (30% do fat.) | R$ 30.00 | R$ 7.500 | Redução de R$ 22.500 | Positivo (redução de custo) |
| Loja de Materiais de Construção (Várzea Grande) | R$ 600.000 | R$ 90.000 (15% do fat.) | R$ 18.000 | R$ 9.000 | Redução de R$ 9.000 | Positivo (redução de custo) |
| Pet Shop (médio porte – Cuiabá) | R$ 120.000 | R$ 48.000 (40% do fat.) | R$ 9.600 | R$ 1.800 | Redução de R$ 7.800 | Positivo (redução de custo) |
| Clínica Veterinária (pequeno porte – Sinop) | R$ 80.000 | R$ 40.000 (50% do fat.) | R$ 8.000 | R$ 1.200 | Redução de R$ 6.800 | Positivo (redução de custo) |
Nota do analista: A simulação acima considera que a empresa não possui outros encargos sobre a folha (FGTS, férias, 13º) que permanecem inalterados. A redução significativa se deve ao fato de que, para a maioria dos setores de varejo e serviços em Mato Grosso, a folha de pagamento representa entre 15% e 50% do faturamento. Uma alíquota de 1,5% sobre o faturamento total resulta em um valor muito inferior aos 20% sobre a folha. No entanto, para setores com folha muito baixa em relação ao faturamento (ex: revendas de veículos, atacadistas com margens altas), a mudança poderia ser desfavorável. O direito de opção é, portanto, crucial.
O Impacto Operacional e Financeiro no Varejo e Serviços de Mato Grosso
Para as empresas de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, a eventual aprovação da PEC 1/2026 trará consequências diretas na gestão financeira e fiscal:
- Fluxo de Caixa: A contribuição sobre o faturamento é mais previsível, pois acompanha a receita. Em meses de baixa sazonalidade (como janeiro e fevereiro para supermercados), o valor a pagar será menor. Já a contribuição sobre a folha é fixa, independentemente do faturamento. Isso pode melhorar a gestão de caixa, especialmente para empresas com sazonalidade acentuada, como lojas de materiais de construção (que vendem mais em épocas de safra no agronegócio).
- Custo de Estoque e Margem: A redução do custo previdenciário (como mostrado na tabela) pode liberar recursos para investimento em estoque ou redução de preços ao consumidor. Por exemplo, um supermercado em Cuiabá que economiza R$ 12.000/mês pode usar esse valor para comprar mais mercadorias a prazo ou melhorar a margem líquida, que no setor gira em torno de 2% a 4%.
- Emissão de Documentos Fiscais: A base de cálculo da nova contribuição será o faturamento bruto, que é apurado a partir das notas fiscais de venda (NF-e, NFC-e). Isso torna a escrituração fiscal ainda mais crítica. Erros na emissão de notas ou na classificação de receitas (como vendas canceladas, descontos condicionais ou devoluções) podem distorcer o valor devido. A SEFAZ-MT já realiza um rigoroso cruzamento de dados, e com a nova contribuição, a precisão dos documentos fiscais será ainda mais exigida.
- Conciliação de Pagamentos: Para empresas que utilizam meios de pagamento eletrônicos (Pix, cartões de crédito/débito), a conciliação automática entre o valor recebido e o faturamento declarado será essencial para evitar divergências com o fisco. O PDV offline MaxBip, por exemplo, já registra todas as vendas mesmo sem internet, garantindo que nenhuma receita deixe de ser contabilizada.
“A PEC 1/2026 pode ser uma ‘bênção’ para o varejo mato-grossense, que sofre com a alta carga tributária sobre a folha. Mas a transição precisa ser feita com planejamento. As empresas que não têm um sistema de gestão integrado (ERP) vão sofrer para apurar corretamente a nova base de cálculo e para simular qual regime é mais vantajoso.” — Relatório do Sindicato do Comércio Varejista de Mato Grosso (Sindivarejo-MT) sobre a reforma tributária.
Mitigando Impactos Fiscais e Financeiros com Tecnologia e o ERP Max Manager
A complexidade da transição tributária exige que as empresas estejam preparadas para simular cenários, apurar corretamente as bases de cálculo e emitir documentos fiscais com precisão. O ERP Max Manager, da MAXDATA, oferece funcionalidades específicas que podem ajudar os empresários de Mato Grosso a navegar por essa mudança:
- Relatório de DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) Detalhado: O sistema permite gerar relatórios comparativos de custos com pessoal (folha + encargos) versus faturamento bruto. Com poucos cliques, o empresário pode simular o impacto da substituição da contribuição, utilizando dados reais do seu negócio. Isso é fundamental para decidir, caso a PEC conceda o direito de opção, qual regime é mais vantajoso.
- Fluxo de Caixa Projetado: Com a contribuição sobre o faturamento, o valor a pagar varia mês a mês. O módulo de fluxo de caixa do Max Manager projeta automaticamente os pagamentos futuros com base no histórico de vendas e nas alíquotas configuradas. Isso permite ao gestor de uma distribuidora em Rondonópolis ou de uma farmácia em Sinop planejar com antecedência os desembolsos, evitando surpresas no caixa.
- Parametrização Automática de Alíquotas de IBS/CBS e Contribuições: O sistema é preparado para receber atualizações fiscais automáticas. Quando a nova contribuição for regulamentada (seja IBS, CBS ou a contribuição previdenciária sobre o faturamento), a equipe técnica da MAXDATA atualizará a parametrização do sistema, garantindo que as alíquotas corretas sejam aplicadas nas notas fiscais e nos cálculos contábeis. Isso elimina o risco de erro manual e de multas por declaração incorreta.
- SPED Fiscal Simplificado e Conciliação Integrada: O Max Manager gera arquivos do SPED Fiscal (EFD ICMS/IPI) e do SPED Contribuições (PIS/COFINS) de forma automatizada. Com a nova contribuição, a apuração será ainda mais integrada. Além disso, a conciliação automática de Pix e cartões (via PDV MaxBip) garante que todo o faturamento registrado no sistema corresponda exatamente ao que foi recebido, evitando divergências com a Receita Federal e a SEFAZ-MT.
- Suporte Presencial em Cuiabá: A MAXDATA oferece suporte presencial em Cuiabá para treinamento e parametrização do sistema. Em momentos de mudança tributária, ter um parceiro local que entende a realidade do varejo mato-grossense (como a sazonalidade do agronegócio, as particularidades do ICMS em MT e as demandas das transportadoras) é um diferencial competitivo.
Dica de Gestão Fiscal: Comece agora a simular o impacto da PEC 1/2026 no seu negócio. No ERP Max Manager, acesse o relatório “Custos com Pessoal vs. Faturamento” (menu).

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